Comprar joias para lavar dinheiro, o ‘caminho das pedras’ que a Lava Jato encontrou

PF desconfia que milhões de reais foram lavados por políticos por meio de joalherias.

Caso mais polêmico é do casal Cabral, com anuência da H.Stern para ocultar compras

Uma lógica simples prevalece entre aqueles que desejar ocultar recursos obtidos ilicitamente, ou em outras palavras, lavar dinheiro. Quanto mais difícil a identificação de como foi obtido, melhor para o criminoso. É baseado neste fundamento que a Polícia Federal investiga se ao menos 13 milhões de reais fruto de corrupção foram usados na compra de joias entre investigados na maior operação policial do Brasil, a Lava Jato. As informações constam de relatórios parciais elaborados pelos investigadores, assim como denúncias baseadas em acordos de delação premiada. Parte desses desvios ocorreu com a conivência de grandes joalherias, como a H.Stern, que assinou um acordo de colaboração e se dispôs a pagar uma multa de 18 milhões de reais.


E por que alguns criminosos usam joias para lavar dinheiro ilegal? “São bens fáceis de transportar e difíceis de serem apreendidas”, explicou o promotor de Justiça Silvio Marques, especialista na investigação desse tipo de crime no Estado de São Paulo. Mas quando são encontradas, traçar o caminho entre a produção e o comprador final é relativamente simples. Relógios da marca suíça Rolex, por exemplo, têm seu número de série registrado, assim como dezenas de outras marcas de luxo. Sabe-se qual loja vendeu e qual cliente comprou.

El Pais

Pax Primavera