Doze mulheres já denunciaram o ex-prefeito de Campo Grande por assédio, diz polícia

Ex-prefeito e candidato ao governo de MS pelo PSD, Marquinhos Trad, é investigado pela Polícia Civil — Foto: TV Morena/Reprodução

A investigação corre em sigilo, mas a delegada responsável pelo caso diz que 20 pessoas já foram ouvidas. Defesa de Marquinhos Trad nega e diz que é uma conspiração política contra ele.

A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) em Campo Grande aponta que 12 mulheres já denunciaram o ex-prefeito de Campo Grande e candidato ao governo do estado pelo PSD, Marquinhos Trad, no inquérito por suspeita de crimes como assédio sexual, importunação sexual, favorecimento a prostituição, estupro e tentativa de estupro.

O inquérito foi aberto a partir dos depoimentos de quatro mulheres feitos entre os dias 4 e 5 de julho, na Corregedoria da Polícia Civil. As vítimas disseram nos depoimentos que teriam mantido relações sexuais com Trad, inclusive no banheiro do gabinete dele, na prefeitura, com a promessa de vantagens, como um emprego público.

Uma delas chegou a ser encaminhada para o Programa de Inclusão Social (Proinc), que é gerido por uma entidade da administração indireta do município, a Fundação Social do Trabalho (Funsat).

O candidato admitiu publicamente que manteve relações sexuais consentidas com duas destas quatro mulheres.

A investigação corre em sigilo e, segundo a delegada responsável pelo caso, Maíra Pacheco, 20 pessoas já foram ouvidas. Ela destacou que muitas vítimas têm denunciado o caso por meio do WhatsApp criado para receber informações.

A delegada explica que com essa ferramenta, as vítimas se sentem mais confortáveis para conversar sobre os crimes. Detalhou ainda que, desta forma, a denunciante fala diretamente com uma única pessoa e o sigilo é garantido.

Outro lado

A defesa de Trad nega as acusações e diz que as denúncias fazem parte de uma conspiração política contra o ex-prefeito.

Ainda segundo a defesa, as denúncias surgiram após críticas feitas por Trad à atuação da Polícia Militar no confronto que terminou na morte de um indígena, em Amambai, em junho. No dia 25 de junho, o ex-prefeito postou em sua rede social uma manifestação de apoio aos indígenas envolvidos na ação policial.

A defesa alega que, dias depois, ele teria sido ameaçado por mensagens de Whatsapp pelo secretário de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul, Antonio Carlos Videira. As advogadas Andréa Flores e Rejane Alves de Arruda protocolaram no Tribunal de Justiça do estado uma notícia crime pedindo a abertura de inquérito por abuso de autoridade e ameaça contra Videira.

Por meio da assessoria de imprensa da secretaria de Justiça e Segurança Pública, Videira disse que não foi desrespeitoso com o ex-prefeito e não fez ameaças. Apontou estar apenas defendendo a segurança pública, explicando a necessidade da atuação policial na região do conflito e cobrando uma retratação, porque Trad teria publicado críticas a atuação da Sejusp no caso.

A defesa do ex-prefeito também pediu a abertura de inquérito na DEAM para investigar denunciação caluniosa contra o candidato e ainda a violação de segredo judicial, já que a imprensa teve acesso a informações do inquérito. Segundo as advogadas, mulheres que fizeram a denúncia contra Trad receberam dinheiro de adversários políticos do ex-prefeito para fazer a “falsa” comunicação do crime.

As advogadas também entraram com o pedido no Ministério Público Federal (MPF) de instauração de inquérito para apurar abuso de poder político, econômico e crime eleitoral. No pedido, a defesa sustenta que a forma apressada como a investigação está sendo conduzida somada ao o vazamento de informações do inquérito – que corre em segredo de justiça – pode afetar as eleições.

Fonte:G1 MS

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