Embrapa Pantanal acompanha situação de jacarés amontoados em açude que secou

Jacarés disputam por espaço na pouca área de lama

As chuvas dos últimos dias na região do Pantanal ainda não foram suficientes para amenizar a estiagem na maior área alagada do Planeta. Em 2020, a região pantaneira enfrenta a pior seca dos últimos 50 anos e por vários meses, teve boa parte de sua área devastada pelas queimadas.

Muitas áreas que antes eram açudes, agora estão secas. Vídeo que circula nas redes sociais revela a gravidade da situação. Em uma fazenda na região da Nhecolândia, centenas de jacarés aparecem amontoados em meio à lama, em uma área que antes era açude.

A pessoa que fez a filmagem relata no vídeo: “aqui secou, era o último açude na fazenda. Estamos preocupados. Olha o berreiro do gado. Olha a imensidão de jacarés. Isso é uma barbaridade. Nunca vi, tenho quantos anos de Pantanal, nunca vi um tanto de jacaré num lugar só. Estamos aguardando a chuva e nada da chuva”, menciona. Na filmagem, também aparecem gado sendo desatolado próximo aos jacarés.

O Diário Corumbaense entrou em contato com a Embrapa Pantanal e foi informado que a pesquisadora, Zilca Campos, que realiza trabalhos de pesquisa no Campo Experimental Fazenda Nhumirim, que fica no Pantanal da Nhecolândia, próximo a fazenda onde foi filmado o açude com os jacarés, foi para o local avaliar a situação. 

Recuperação lenta

Sem chuva, o rio Paraguai, que abrange os estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso chegou a ficar com nível negativo (-0,32) em outubro, mas a altura do rio Paraguai em Ladário já apresenta tendência de recuperação, segundo as projeções do Serviço Geológico do Brasil (CPRM). “Em Ladário, o rio Paraguai tem mostrado uma tendência de recuperação de níveis e, de acordo com os dados históricos, é improvável que o rio retorne ao regime de recessão neste local, após retomada a recuperação de níveis. Ainda assim, os níveis levarão tempo para se recuperarem”. 

Nesta quarta-feira (18), o nível do rio em Ladário registra a marca positiva de 0,07 cm, 1 metro e 95 centímetros abaixo do normal para a época, segundo o Centro de Hidrografia e Navegação do Oeste.  

Fonte:Diario Corumbaense

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