MARQUINHOS CAMBALHOTA ESTA ENTRE os 10 melhores brasileiros que já jogaram no Japão – Segundo os japoneses

O programa Foot x Brain, exibido pela TV Tokyo, elegeu os dez brasileiros que mais se destacaram na história do futebol japonês. Alguns consagrados no Brasil, outros nem tanto, mas todos com um papel importantíssimo na história dos clubes por onde passaram. Estes são os brasileiros que de fato viraram lenda no futebol japonês. Você pode assistir aqui a um trecho do programa ou acompanhar na lista abaixo os feitos de cada um deles no País do Sol Nascente.

10 – AMARAL, O REI DE TÓQUIO. Nascido em Piracicaba em 1966, destacou-se em clubes do interior de São Paulo como Comercial, Capivariano e Ituano. Sua passagem pelo Palmeiras em 1992 como reserva de Evair foi abreviada por uma lesão no menisco e uma proposta “irrecusável” do Tokyo Gas (atual FC Tokyo), clube que tinha sido promovido à primeira divisão da JFL, a liga amadora do Japão. No início, o atacante pretendia retornar ao Brasil depois de um ano, mas ficou no País do Sol Nascente pelo resto da carreira. Disputou 12 temporadas pelo FC Tokyo, levou o time da liga amadora até a J1 e marcou um total de 178 gols (98 na JFL, 15 na J2, 49 na J1, 10 na Copa do Imperador e 6 na Copa da Liga), incluindo nove hat-tricks. Virou ídolo absoluto e ganhou o apelido “King of Tokyo”. Na última temporada dele pelos Tanukis, em 2003, o quarto lugar na J-League foi o melhor resultado na história do time da capital. Até hoje a torcida leva uma bandeira em homenagem a ele em todos os jogos no Ajinomoto Stadium (foto acima).

9 – WASHINGTON, O CORAÇÃO VALENTE. Chegou ao Japão já consagrado, depois de ser artilheiro e vice-campeão brasileiro pelo Atlético-PR em 2004. Também era conhecido por lá por ter defendido a Seleção Brasileira na Copa das Confederações em 2001. O atacante atuou pelo Tokyo Verdy em 2005 e marcou 22 gols, mas o time acabou rebaixado. Mudou-se então para Saitama e jogou as duas temporadas seguintes pelo Urawa Reds. Teve grande destaque nas duas principais conquistas da história do clube, a J-League em 2006 (em que foi artilheiro e escolhido para a seleção do campeonato) e a Liga dos Campeões da Ásia em 2007. Foi também o principal goleador do Mundial de Clubes em 2007. No total marcou 29 gols pelo Verdy e 62 pelo Reds.

8 – MARQUINHOS CAMBALHOTA. Tokyo Verdy, Yokohama F-Marinos (duas passagens), JEF United, Shimizu S-Pulse, Kashima Antlers, Vegalta Sendai, Vissel Kobe… É extensa a lista de clubes defendidos pelo atacante, que passou a maior parte da carreira no Japão. Seus melhores momentos foram em Yokohama (campeão da J1 em 2004 e vice em 2013) e principalmente em Kashima, onde viveu seu auge. Foi tricampeão da J-League (de 2007 a 2009), faturou uma Copa do Imperador (2007), duas Supercopas (2009 e 2010) e em 2008 foi artilheiro e MVP da J1. É o estrangeiro com mais gols na história da liga japonesa (152) e o quarto maior artilheiro de todos os tempos, atrás apenas de Masashi Nakayama (157), Hisato Sato (160) e Yoshito Okubo (171).


7 – LEONARDO. Convidado por Zico para ser seu sucessor, o então lateral esquerdo que tinha acabado de conquistar o tetra na Copa de 94 trocou o São Paulo pelo Kashima Antlers e deixou sua marca nas três temporadas que disputou lá. Adiantado para o meio-campo, seu talento foi melhor aproveitado e, atuando como um verdadeiro camisa 10, começou a fazer gols como nunca tinha feito na carreira. No total, foram 63 jogos e 36 gols em todas as competições pelo time de Ibaraki. Ele marcou o gol que foi considerado o mais bonito da história da J-League.

6 – ARAÚJO. Atuou no futebol japonês só por dois anos. Chegou em 2004 ao Shimizu S-Pulse depois de sete temporadas no Goiás mas sem chamar tanta atenção – balançou as redes nove vezes e o Shimizu terminou em antepenúltimo. Em 2005, transferiu-se para o Gamba Osaka e desandou a fazer gols – teve a incrível média de um por jogo (33 gols em 33 jogos na liga), foi artilheiro, MVP e ajudou o Gamba a conquistar a J1 pela primeira vez. Depois dele, ninguém mais conseguiu chegar à casa dos 30 gols em uma edição da J-League.

5 – EMERSON SHEIK. Era destaque na base do São Paulo, mas foi vendido ao Consadole Sapporo em 2000 porque o Tricolor já desconfiava que sua idade tivesse sido alterada e temia levar mais prejuízo depois do caso Sandro Hiroshi. Teoricamente com 18 anos (na verdade tinha 21), Emerson arrebentou no primeiro ano em Hokkaido. Fez 31 gols em 34 jogos, o Consadole foi campeão da J2 e ele foi o artilheiro do campeonato. O atacante passou mais um semestre na segunda divisão antes de ser “promovido”. Em 2001, fez 19 gols em 18 jogos pelo Kawasaki Frontale na J2 até ser contratado pelo Urawa Reds, onde ficou até 2005 e anotou um total de 94 gols. Em Saitama ele logo se tornou um dos preferidos da torcida. Conquistou só uma Copa da Liga (2003) mas foi três vezes eleito para o “best eleven” da J-League, foi MVP em 2003 e em 2004 foi artilheiro da J1. O jogador chegou até a declarar que tinha intenção de se naturalizar japonês, mas uma proposta do Al Sadd, do Catar, fez ele mudar de ideia.

4 – JUNINHO. Surgiu na base do Bahia e jogou pela Seleção Brasileira Sub-20 em 1996. Em 2000 chegou ao Palmeiras e, após a campanha do rebaixamento no Brasileirão de 2002, transferiu-se para o Japão. Curioso que, na época, o Kawasaki estava interessado em contratar Sandro Hiroshi. Mas o olheiro, que foi assistir a um jogo entre Flamengo e Palmeiras, ficou mais impressionado com Juninho. No primeiro ano no Japão, o atacante fez 28 gols na J2 e terminou como vice-artilheiro. Em 2004, foi o goleador máximo com 37 e ajudou o Frontale a ser promovido. Ele recebeu até uma proposta do Real Betis, da Espanha, mas preferiu permanecer no Japão. Na primeira divisão ele continuou a disputar a artilharia da liga e em 2007 viveu seu melhor momento, quando foi o goleador máximo da J1 com 22 gols. Em março de 2008 ele declarou que queria se naturalizar e defender a seleção japonesa, o que animou o então treinador dos Samurais Azuis, Takeshi Okada. Juninho já estava no país há cinco anos, tempo mínimo exigido para solicitar a cidadania japonesa. Mas a dificuldade com o idioma era enorme e ele não conseguiu dizer nem sua data de nascimento ao ser entrevistado por autoridades do governo. Em agosto do mesmo ano, ele desistiu de se naturalizar. Ficou no Frontale até 2011 e marcou um total de 214 gols em 357 jogos. Ainda jogou mais dois anos pelo Kashima Antlers, mas sem o mesmo sucesso.

3 – DUNGA. Poucos jogadores transformaram tanto um clube quanto Dunga no Júbilo Iwata. O capitão do tetra disputou quatro temporadas na Celeste de Shizuoka, entre 1995 e 1998, enquanto era titular absoluto na Seleção Brasileira. E foi nesse período que o Júbilo se tornou um dos grandes do futebol japonês. Em 1997 o time conquistou a J-League pela primeira vez e o brasileiro levou o prêmio de MVP. Pelas palavras do escocês Eddie Thomson, técnico do Sanfrecce Hiroshima na época: “Bons jogadores estrangeiros são aqueles que organizam e ajudam os jogadores japoneses, que são virtualmente seus técnicos dentro de campo. Dunga era um exemplo perfeito. Ele valia seu peso em ouro. Agora o Júbilo é o melhor time da liga, eles jogam o melhor futebol, e eles jogam como o Brasil. Dunga mudou totalmente o seu time. Agora eles têm cinco ou seis jovens promessas na seleção nacional e todos eles deram certo por causa do Dunga. Ele valeu cem vezes o que foi investido nele.” Vale a pena ver este vídeo em que o volante distribui broncas nos companheiros durante as partidas. Dunga também levou um pouco da catimba sul-americana para o Japão, o que causou controvérsia e incomodou principalmente o arquirrival Shimizu S-Pulse. Steve Perryman, inglês que treinava o S-Pulse, chegou a declarar que “o Júbilo é lado negro, maligno do futebol” e também “já vi os gandulas não devolverem a bola quando o Júbilo estava ganhando”.

2 – ROBSON PONTE. O ex-Juventus-SP, América-SP e Guarani passou boa parte da carreira na Alemanha. Chegou ao Urawa em 2005, então com 28 anos, contratado do Bayer Leverkusen, e herdou a camisa 10 de Emerson Sheik. Ficou cinco anos e meio em Saitama e foi primordial nas grandes conquistas da história dos Reds: a J-League de 2006 e a Liga dos Campeões da Ásia de 2007. Sua contribuição dentro de campo valeu a ele um lugar entre os maiores ídolos da história do clube, como Masahiro Fukuda, Tatsuya Tanaka e Nobuhisa Yamada. Ponte foi eleito melhor jogador da J-League em 2007. No total, fez 197 jogos e marcou 48 gols com a camisa do Urawa.

1 – ZICO. Antes dele, o Kashima Antlers não existia. Ainda era Sumitomo Metals, um inexpressivo time amador da segunda divisão. Depois dele, tornou-se o clube mais vencedor da história do futebol japonês. Zico havia se aposentado em 1989, mas voltou à ativa em 1991, com 38 anos, ao receber um convite do Sumitomo, que se estruturava para ganhar uma vaga na liga profissional que seria inaugurada em 1993. O Galinho atuou uma temporada na Segundona da JSL pelo Sumitomo (24 jogos e 22 gols) e duas na J-League pelo Kashima (43 jogos e 24 gols). Não levantou taças nem ganhou prêmios individuais, mas sua importância foi muito além dos golaços e jogadas brilhantes que mostrou dentro de campo. Afinal, foi ele quem direcionou praticamente tudo dentro do Antlers. O time criou uma mentalidade vencedora graças a ele. A liga ganhou uma visibilidade enorme no Brasil graças a ele. Muitos outros jogadores famosos foram para o Japão graças a ele. Hoje o Brasil tem o maior contingente estrangeiro na J-League graças a ele. Ídolo máximo do Kashima, Zico é chamado por lá de “Sakka no Kami-sama” (Deus do futebol), tem uma estátua na frente do estádio e em todos os jogos a torcida leva um bandeirão com a frase “Spirit of Zico”.

Fonte:G1

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