Mesmo calado, Lionel Messi tenta impor sua vontade mais uma vez

Mesmo calado, Lionel Messi tenta impor sua vontade mais uma vez

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Na calle Estado de Israel, uma rua estreita na parte sul da periferia de Rosário (298 km de Buenos Aires), Lionel Messi não é lembrado como um dos maiores jogadores de futebol da história. Ele será sempre a criança muito pequena que se agarrava na barra da calça do pai, Jorge, ao sair do sobrado em que a família morava.

“Ele tinha um jeito muito tímido. Não falava com ninguém, tanto que cheguei a pedir à mãe dele que o levasse a um psicólogo porque achei que sua autoestima era muito baixa. Mas logo percebi que, por causa do futebol, as outras crianças gravitavam em torno dele. E Leo costumava conseguir o que queria. Tinha uma vontade muito forte”, disse a antiga professora de Messi, Mónica Dómina, à Folha de S. Paulo, em reportagem de 2017.

Foi a mesma vontade imutável e silenciosa que o levou a fazer o que poucos em Barcelona acreditavam ser possível: avisar ao clube no qual chegou aos 13 anos de idade que deseja ir embora.

Ele se sente confortável na Catalunha, o Barcelona é como se fosse sua casa, seus três filhos nasceram na Espanha e o camisa 10 tem até um churrasqueiro particular na cidade.

Aos 33 anos, Messi viu que o Barça se tornou uma nau à deriva sob a administração de Josep Maria Bartomeu, uma pessoa que ele não suporta mais nem cumprimentar, de acordo com o que seu pai disse a jornalistas argentinos.

Além da Copa do Mundo pela seleção, ele sonha em voltar a ganhar a Champions League, torneio em que foi o astro da equipe espanhola nos títulos de 2009, 2011 e 2015. Porque, como observou o jornalista e biógrafo Leonardo Faccio, futebol é algo tão importante para Lionel que, quando fala do assunto, “o sorriso de sua cara se apaga e sua expressão se torna tão séria como quando vai bater um pênalti.”

Com Pep Guardiola, seu técnico entre 2008 e 2013, houve um entendimento perfeito entre eles e o reconhecimento, por parte de Messi, de que Pep encontrou a melhor função para ele no campo, tirando-o da ponta direita e colocando-o no centro do ataque, onde sempre quis jogar. Se mostrou letal e foram campeões europeus duas vezes.

O argentino, transformado em emblema do time, cresceu ao ponto de se sentir mais à vontade em externar suas insatisfações no dia a dia, até mesmo com treinadores. No processo de escolha dos comandantes, inclusive, o tamanho dos técnicos passou a ser um ponto-chave, de modo que as personalidades dos novos contratados não conflitassem com a do principal jogador da equipe.

Luis Enrique admitiu que seu início de trabalho no clube provocou tensões com o jogador, que discordava de algumas ideias táticas propostas por ele.

Ao longo da temporada, apesar de jogarem de maneira diferente da que ele estava acostumado, com um futebol muito mais direto e vertical, Luis Enrique ganhou o respeito de Messi, que reconheceu no treinador uma figura capaz de potencializar não só o seu jogo, o de Suárez ou o de Neymar, mas de todo o coletivo.

O Barcelona terminou campeão da liga espanhola, da Copa do Rei e da Champions. O time nunca mais foi tão competitivo desde então no cenário europeu como aquele de 2014/2015.

Nas duas últimas temporadas, já como capitão, foi ele o responsável por dar uma satisfação aos torcedores durante o evento anual do troféu Joan Gamper, o torneio amistoso de apresentação do elenco no Camp Nou. Em ambas as ocasiões, o argentino prometeu que voltariam a levantar a taça da Champions, mas não pôde cumprir.

Fonte:Noticia ao Minuto

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