“Wilson foi referência ética e moral na vida pública”, lembra deputado Junior Mochi

Presidente da AL iniciou trajetória política ao lado de ex-governador

Da esquerda para a direita: Nilton Giraldelli, Plínio Martins, Mochi e Wilson em publicação do Correio do Estado de 1982. – Foto: Externa: Valdenir Rezende / Interna: arquivo

Presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, o deputado estadual Junior Mochi (MDB) tem sua trajetória política ligada à história do ex-governador Wilson Barbosa Martins, falecido nesta terça-feira, aos 100 anos, em Campo Grande. Para o parlamentar, Wilson foi exemplo de liderança. “Tenho ele como referência ética e moral”, disse.

Mochi relatou ao Correio do Estado que iniciou sua vida pública pelo MDB em 1982, como presidente da juventude do partido, incentivado por Wilson que, naquele ano, foi eleito governador pela primeira vez. Em 1996, Mochi foi eleito prefeito em Coxim, novamente com apoio do ex-governador. “Foi um grande estadista que forjou sua trajetória de vida nas lutas populares”, pontuou.

O deputado lembrou de diversas passagens e conselhos que recebeu do experiente companheiro de partido. “Certa vez ele me disse que a política era como observar uma nuvem. Uma hora ela parece um cordeirinho e logo em seguida se parece com um elefante. Mas basta ter paciência e olhar com cuidado que volta a se parecer com cordeirinho. Era o exemplo que ele dava de como ser paciente, no auge da sua experiência”.

HISTÓRIA

Wilson Barbosa Martins nasceu no dia 21 de junho de 1917 na Fazenda São Pedro, região da Vacaria, que pertenceu a Campo Grande, e hoje faz parte do município de Rio Brilhante. Formou-se em Direito na Faculdade do Largo de São Francisco, em São Paulo, e teve como colegas Ulysses Guimarães, José Fragelli, entre outras figuras ilustres.

Em 1946, exerceu o cargo de secretário-geral da Prefeitura de Campo Grande, na administração do prefeito Fernando Correa da Costa (que também foi governador de Mato Grosso). Em 1958, foi eleito prefeito da cidade, substituindo Marcílio de Oliveira Lima. No período da sua administração, concurso promovido pelo Instituto Brasileiro de Administração Municipal (Ibam) e revista “O Cruzeiro”, elegeu Campo Grande como um dos cinco municípios de maior progresso no Brasil.

Filiado à UDN, foi eleito deputado federal pelo estado do Mato Grosso em 1963. Quando do advento do bipartidarismo no País, aderiu ao MDB, que ajudou a fundar. Reeleito em 1966, foi cassado pelo Ato Institucional número 5 em 7 de fevereiro de 1969, tendo seus direitos políticos suspensos por 10 anos.

Em 1982 retornou à cena política elegendo-se governador do Estado, pelo MDB o primeiro eleito pelo voto direto para governar Mato Grosso do Sul.  Em 1987 foi eleito senador e em 1994 voltou ao posto de governador, repassando o cargo para Zeca do PT em janeiro de 1999.

Fonte:Correio do Estado